AÇOES POÉTICAS DE UM CUIABANO NA CUIABANIDADE!
AÇOES POÉTICAS DE UM CUIABANO NA CUIABANIDADE!
UMA RUA DE BARRO, CHAMADA PIÇARRA!
Os quintais cuiabanos, espargindo alegrias, através da passarada, onde os periquitos, nhandáias, e papagaios promovem algazarras, começaram a florir.
As enormes mangueiras formadas de pequeninas flores amarelinhas e mimosas,
pareciam frágeis, e realmente eram, pois a bocarra do vento a soprar, sacudia os galhos fazendo cair as pequeninas flores, forrando o chão de amarelo ouro, denunciando a morte das que poderia vir a ser enormes e belas mangas Bourbon.
Entretanto, as pequeninas flores amarelinhas, que conseguiram sobreviver, por certo espargirão vida através das belas mangas, fruta tropical da nossa cuiabanidade, e isto se a “tchuva” de caju não vier a falhar. Olhando as pequeninas flores pareciam as mesmas sedentas com a goela seca à espera da chuva benfazeja, pois algumas das vezes acompanhada da bocarra do vento, destelhava casas e até provocava ecatombe, como no caso da enchente de 1974, destruindo aqueles que eram os bairros ribeirinhos, verdadeiros “nicho” procriadores da nossa cultura, ou mesmo enchente nos córregos: “Gumitá” ou do “barbado”. Mas... deixando de lado as intempéries que ofenderam as pequeninas flores das mangueiras avidamente aguardando as chuvas para depois explodirem em belas frutas tropicais, as mangas bourbon que logo, logo pintariam os lábios da gurizada com seu amarelo ouro. As enchuradas que desciam pela Rua Antônio Maria, cujo apelido, para ser mais acadêmico, cujo epíteto, era Rua da Piçarra, abriam fendas profundas, quase verdadeiras feridas, deixando à amostra pedregulhos e cascalhos, às vezes entremeados por faíscas de ouro, cujos reflexos, dava-nos a impressão de um chão de estrelas. A gurizada, em turma reunia-se à cata do ouro, coletando-o em vidrinho e pequenos sapicuás (chifre de veado mateiro), que eram vendidos para os dentistas da época, ou até mesmo para as ourivesarias existentes.
A terra molhada, ficava fofa e convidativa para a brincadeira chamada; “Finca-Finca”. Descíamos ainda brincando, trepados em “pés-de-cabra” ladeira abaixo, tempo em que o menino tinha tempo para, no tempo brincar!
“Enquanto o João de Barro
Vai construindo a casa,
As Japuiras traçam palafitas
Provando que,
Entre os pássaros
Também há diferença de classe”
“A imensa lâmina de água
Narcisamente
Reflete as imagens do pantanal”
“Os imensos arvoredos,
Retocam suas cabeleiras
No espelho
Circulo
Lâmina de água”
“O campeio no pantanal
Se faz no dorso
Das canoas”
“O espírito do pantaneiro,
Não tem corpo
Pois lá já
È céu!”
“Acompanhar o João de Barro construindo casa,
É aprender um pouquinho mais
De amor!”
“Desculpe-me João de Barro,
Tenho falado tanto
Que você constrói casa.
Mas verdadeiramente,
Você constrói um Lar!”
“João de Barro é o pedreiro da floresta
E o Bem-te-vi o menestrel!”
“O Bem-te-vi é um gozador
Canta bonito pra mexer
Com você
E pra espantar a dor”
“A sede de vingança
Mata o próprio vingador
Afogado no ódio”
“Razão um segundo de lucidez”
“Morte, fragmentos
Com outras
Identidades”
“Espírito, pressuposição
Animada
De um corpo”
“Alma disputa ferrenha
Pelo mistério
Escuro da vida”
“Futuro, micro de segundo
Após o presente”
“Puritanismo, o exercício
Da sacanagem
Inconsciente”
“Virgem Maria
Talvez a primeira
Cezariana da história”
“Macho, dúvida entre:
Garanhão
Garrote
Homo Sapiens”
“Dinheiro, miséria
Que todos
Queremos
Possuir, qual ilusório tesouro!”
“Sentimento,
Covardia
De mostrar-se
Como se é”
“Inveja projeção
Do nosso insucesso
Nos outros”
“Prostituta, tarjeta legal
Da mulher
Que tem a coragem
De exercitar a sua condição”
“Com o andar do carro de boi,
As melancias se acomodam”
“A parelha de bois carreiros,
Atrelham os passos no compasso
Dos caminhos das andanças pantaneiras”
“A desova dos peixes
É a garantia de que
O pantanal nunca terá motéis”
“As bocaiúvas,
São as uvas do pantanal”
“Furrundu, doce do tronco do mamoeiro
Um santo remédio
Pra transformar
Diabético, em anjo”
“Sobre uma perna,
O Tuiuiú, faz lenda no pantanal:
O SACI PANTANEIRO”
“Na lenda pantaneira, o arco-íris
Engole
As embarcações
Com sua bocarra colorida”
“A guelra sanguinolenta
Promove
Guerra
Contra
O anzol”
“A sabedoria pantaneira
São epístolas
Dos séculos
Escritas no
Papiro da memória”
“O romance no pantanal
Começa com a lua cheia
Derramando-se nas madrugadas”
“A chuva no pantanal
É o beijo das águas
Formando um crucifixo
No encontro da
verticalidade
E horizontalidade”
“O Tuiuiú filosofa
Com as canelas
Afogadas na lama”
“Araras,azul, vermelhas
Ararauna
Dão gargalhadas
Ao roubarem
As cores do céu”
“O Bócio do Tuiuiú
É devido ao papo
Que ele arrasta
Sobre sua beleza”
“Um gole pro Santo
Uma talagada pra espantá
O frio, nas caminhadas
Do atalho do rio”
“ De tanto embebedar-se,
O arco-íris,
Tingiu a piraputanga
Com suas cores”
“Não deixem as lagoas
Do pantanal, secar
Pois onde
A lua vai se maquiar?”
“Á noite, as lagoas do pantanal
Ficam quietinhas
A espera
Da mirada
Da Lua”
“O curral pantaneiro,
É cercado com água
E amarrado com vento.”
“Os limites das terras do pantaneiro
Terminam
Onde as vistas
já não alcançam”
“O rio corre
Sobre o leito
Qual lençol
De cetim ondulando
Como se estivesse dançando o rasqueado”
“O meu cachorro, não fala
Mas seu olhar
Me diz
O discurso da sua alma”
“A lenda do pantanal, diz que sempre vem um extra-terrestre aprender amor com o pantaneiro”
“A doce fala do pantaneiro
Disputa
A docilidade do doce tarumã”
“O velho pantaneiro lança a tese: mostrem-meum Pacu com Aids”
“O sol desmaiou
Sobre as palmas da bocaiuveira
Derramando-se qual placenta
Do caldo de cana, triturado no beijo do engenho”
“O rio mira-se
Nas lantejoulas
Das escamas do peixe,
Aprontando-se para morrer no mar”
Pantanal Santuário:
Suas águas pantanosas, ninho de amor de vários espécimes!
Deslizam sobre as terras lamacentas e férteis,
Qual mão do amante que na procura do prazer
Nas genitálias tecem da qual nascem:
ervas, mamíferos, e répteis!
O Tuiuiú do brejo salpica lantejoulas de água no seu revoar!
Espreitado pelo olhar lânguido e meloso do jacaré.
Os sucuris se desenrolando num eterno abre-braços a bocejar,
Caramujos aparecem nos rebojos da sua falsa maré!
Qual menina convidativa, meiga e faceira,
Encantas, convidas a se acolherem no seu regaço,
Aqueles que vivem na sua intimidade matreira,
Àqueles que te procuram no lazer do espaço!
Seu Ventre piscoso é uma célula mater de pureza,
Em que seres se acasalam num sempre reproduzir!
Nas cópulas eternas da grande mãe natureza,
Para depois dispersarem, em alimentos andantes a outras plagas, nutrir!
Sua flora qual rosa nascida em espinhos,
Exala odores fortes inebriantes!
Muitos tentam a colher nos seus caminhos,
Mas, enclausuras, retrais, brincas com seus visitantes!
As filmadoras e Roley-flex tentam lhe aprisionar, em postais!
Ficam bonitos, coloridos, lindos, extasiantes!
Porém longe de alcançar seus tons naturais!
As expressões do seu todo esplendoroso, infindo!
Despetálas e entristeces e se põem a chorar! Quando vês
os “bichos homens” de armas em punho dizimando os filhos teus.
A natureza interrogativa, pergunta:
-Dou-lhe beleza e vens aqui me matar?
Pantanal altaneiro, bravo qual “potro chucro”
Sua força é maior que os seus destruidores!
Que lhe depredam por esporte ou lucro!
Mesmo assim, abres os braços num amplexo!
Com amor aos que lhe causam dores!
As asas inspiradoras do poeta Pantaneiro!
Emprestadas, são das garças, de alvas plumas, qual a neve!
Canta oh poeta! Suas rimas nas patas do cavalo pantaneiro!
Escreves oh poeta! Nas brisas deste vento úmido e leve!
Cantar o Pantanal mato-grossense,
È transpor da inspiração ao além! Trilhando a verdade!
É declinar belas palavras, das idéias que na mente vem!
É descortinar o paraíso: nos peixes, aves, e tudo que lá contém!
È encontrar Deus, no Santuário, dar-lhe as mãos e caminhar para a eternidade!
O religare, com o COSMO!
( Neste momento da coletânea o autor, busca religar ou sintonizar, o micro e o Macro Cosmo, no passeio poético!)
Peando o tempo:
Gostaria de colocar peia, nos segundos!
Principalmente, aqueles felizes,
Mantê-los sempre no presente.
Mas...quando tento,
escapam no tempo,
Que não se deixa pear.
Ilusoriamente, penso haver conseguido,
Mas...Que engano,
o segundo que havia prendido,
pensando, presente ser,
Já cavalga em outro século,
outro ano,
sendo passado ilusório do meu querer !
Parafernália humana:
Homem, síntese de um dos Universos
pois muitos hão nos infinitos dispersos,
não é apenas de carne e ossos, ou arcabouço,
mas albergue, de um ser infinitamente,
misterioso. Que em todos habita, no príncipe e
no andrajoso.
Parafernália de sangue e vísceras, que
alimentam a mente, mente que necessita do
espírito, que se alberga no intrínseco da gente !
Périplo do poeta:
O poeta abre as janelas da sua alma, e na sua calma, pergunta, quem sou?
Olha o universo no céu projetado, derrama seu olhar, que se espraia,
perguntando, ao mesmo tempo no fim do infinito, vê-se sentado.
Parece que seu corpo aqui está, a olhar, sua alma no espaço cósmico sentada,
dialogando com querubins,
com seres da infinita caminhada .
Toma uma nuvem pôr travesseiro, repousa a sedosa cabeleira.
Mas, o corpo no ar pesa e tende a se despencar, porém surge o arco-íris
onde pode se agarrar.
Entretanto, seu corpo sem alma, não sonha,
É apenas porção da matéria limitada.
E a alma sem corpo, apenas sonha, etérea forma imaterializada.
Seria o poeta a amalgama da alma e da matéria limitada ?
Mas, qual o instrumento do poeta ?
O corpo que nas suas idéias, materializa ?
Ou a alma que sem idéias, imortaliza ?
Seria o poeta a dualidade destas duas situações, que embora conflitantes,
convergem nas mesmas intenções ?
Porém a poesia não está só no poeta
Observe o vôo do Beija-flor, as ondas do mar encapelando-se no pôr do sol,
o sorriso de uma criança quando não sente dor, o vôo do condor
o arrebol contemplando.
O prateado do luar, luz no olhos do
pirilampo, colocando,
que dispersos no pantanal, estrelas no chão vão formando,
no lago plácido com a lua um sorriso estampando, na queda de um
frutinho, o espelho d’ água, quebrando, a forma bela da lua desfigurando.
Observe Deus que sempre está nos observando!
E nós dificuldade achando em
encontrá-lo, quando ao nosso lado está caminhando.
Mas, nossa insensibilidade, não tem sensibilidade, para com ele irmo-nos, identificando.
Observe você poeta! Que pensa a verdade possuir!
Que ilusão! Mas...tendes que assim ser, essência do seu existir !
Tendes a falsa humildade, até porque sem esta característica impossível poeta ser !
Pois manuseias o subjetivo, na realidade objetiva do ser !
Afinal quem és tu poeta?
Após todas estas lucubrações, sois nuvens formando o céu,
ou sois céus de nuvens em formações ?
O gostoso de poeta ser, é a sensação ter, de nunca saber,
o seu início ou fim.
Como o infinito, que finitamente fez-me
ser poeta assim !
IMPERFEIÇÃO:
Não misture, amor, sexo e paixão,
Não misture não!
A paixão é labareda, que queima,
consome sem compaixão. Só pede e não doa,
é tempestade não respeita idade. O amor só dá nada implora,
a sua felicidade é fazer feliz,
capaz até da vida dar, para alguém que quis.
Espera, sofre e conforta, só uma chave abre esta porta.
O sexo, surge de dois, na paixão desaparece,
nas cinzas do depois.
No amor de verdade, arde qual brasa, quase apagando,
e de vez em quando, passa o vento soprando a saudade!
O sexo, fome danada, comendo a paixão.
O amor, quando acaba, não foi amor!
Mas mesmo assim deixa rastros gostosos de alegria ou de dor!


3 Comentários:
Oi meu poeta preferido!
Você brindando agora seu público fã e cativo - como eu - com suas histórias, poemas e versos que fazem tocar a alma de quem tem um minimo de sensiblidade... Que bom!
Beijo você e sua linda esposa, que te inspira.
Cláudia Campello
Amiga Caludia, que bom que você entrou no meu Blog! Verifique novo artigo, intitulado:" O Segredo de Envelhecer". Um abraço, Moisés Martins.
Meu amigo, Moises Martins quero comprimentá-lo pelo seu Blog,aqui nos podemos conhecer a história da nossa querida Cuiabá.Agradeço muito por ter um grande amigo uma pessoa honrrosa e de muitos conhecimentos como o senhor,Obrigada.
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