UMA RUA COM NOME DE HEROI!
UMA RUA COM NOME DE HEROI!
A riqueza histórico cultural de Cuiabá, é aureolada de fatos e acontecimentos propiciados por homens que devido aos seus atos, hoje nos chegam quais heróis. Portanto, a responsabilidade do poder Público, ao restaurar um logradouro Público, tem a explicita obrigação de rever o seu processo histórico cultural, sob pena de ver fadado ao desaparecimento, a sua memória cultural, principalmente o nome do patrono! Qual o cuiabano “Chapa e Cruz”, não se lembra da chamada “Rua dos Porcos”, ao lado da velha Prainha, nome curioso, mas que pode-se explicar. Ocorre que na Cuiabá província, alguns sitiantes criavam suínos às margens da Prainha (Hoje Cel. Duarte), aproveitando não somente as águas do pequeno riacho, como também restos de verduras, pois ali praticava-se uma espécie de feira livre.
O nome do heróico Comandante ANTÔNIO JOÃO RIBEIRO, seria impossível o resgate sem relembrarmos pinceladas da terrível Guerra do Paraguai (1864), que marcou a história não somente de Cuiabá, Mato Grosso, mas sim do Brasil! Corria os anos de 1864, mais precisamente dia 22 de outubro, às 9,30 horas, Solano Lopes Governador do Paraguai, após tomar de assalto o Navio Marquês de Olinda, onde viajava o então nomeado Presidente da Província de Mato Grosso, Frederico Carneiro Campos, que nunca chegou a desembarcar em terras brasileiras. Aprisionada a embarcação, Solano Lopes mobilizou duas forças visando a invadir e tomar Mato Grosso, por sinal ameaça já identificada e prevista invasão, pelo Tenente engenheiro Luis D`Alincourt. A primeira força paraguaia objetivando a invasão comandada por Vicente Barrios, sobre o Forte Coimbra, comandado por Ermenegildo Portocarrero. Houve luta e as forças paraguaias foram vencidas batendo-se em retirada. Então o alvo de Barrios voltou-se para a Cidade de Corumbá, promovendo debandada da população corumbaense. A segunda frente paraguaia sob o comando de Urbieta, atacou a coluna militar em Dourados, sendo defendida heroicamente pelo COMANDANTE ANTÔNIO JOÃO RIBEIRO, com apenas 15 praças. O avanço paraguaio colocou o povo cuiabano em estado de terror temendo que Solano Lopes conseguisse invadir Cuiabá, que não tinha condições nenhuma de defender-se. Surge então “ O CORPO DE VOLUNTÁRIOS CUIABANOS” sob a orientação do Brigadeiro Albino de Carvalho, que se posicionou na Colina de Melgaço com o objetivo de fazer frente as forças paraguaias, ficando sob o comando do Coronel Ermenegildo Portocarrero, que ao receber notícias trazidas pelo Vapor Corumbá, de que as forças paraguaias atacariam Cuiabá, ordenou a retirada de Melgaço, concentrando as forças militares em Cuiabá. Decisão tomada após ouvir o Conselho de Oficiais da Província de Mato Grosso. Houve divergência de opiniões, pois para alguns configurava aceitar a derrota antecipadamente, derrota como ocorreu em Corumbá. Partilhava desse pensamento, Augusto Leverger (O Barão de Leverger), que recebendo o aval do Presidente da Província, é nomeado por este, Comandante Superior de toda Guarda Nacional da Província e das Forças fluviais e Terrestres, necessárias à ocupação e defesa de Melgaço. Heroicamente assim se expressou: “Marchemos Senhores a guarnecer o ponto abandonado e quando não mais pudermos impedir a passagem do inimigo, que ao menos façamos reconhecer nossos protestos por meio da artilharia. Que me acompanhe quem quiser!”.
O acampamento da Colina de Melgaço foi montado com material bélico e contingente, levados pelos Vapores de Cuiabá, Alfa e Jauru.
Esperaram em Melgaço, até o final das chuvas, quando não mais poderiam ali chegar os inimigos paraguaios. Apesar de não haverem lutado O CORPO DE VOLUNTÁRIOS regressando à Cuiabá foram recebidos como heróis, pois haviam assegurado a segurança à população. Augusto Leverger aos 64 anos assumiu a Presidência da Província de Mato Grosso e o Comando Geral das armas. Durante o período que esteve à frente do governo de Mato Grosso, tratou de expulsar os invasores paraguaios, conseguindo a retirada de Laguna, passagem heróica da história de Mato Grosso. Para expulsar definitivamente as focas inimigas paraguaias em Corumbá foi montada uma guarnição cuiabana sob oi Comando de Antônio Maria Coelho. Outras batalhas, contra a invasão paraguaia ocorreram até que, forram derrotados e expulsos de Mato Grosso.
Nesta Guerra, ocorrida em Mato Grosso Província em 1864, surge então o nome do HERÓI ANTÔNIO JOÃO RIBEIRO, Comandante das tropas mato-grossenses, morto juntamente com seus companheiros na ferrenha luta travada em Dourados, resistindo até a morte, e quando a espada de Urbieta foi levantada para matá-lo, deu um Brado que até hoje ecoa nos corações dos mato-grossenses: “ SEI QUE MORRO, MAS MEU SANGUE E DE MEUS COMPANHEIROS SERVIRÃO DE PROTESTO SOLENE CONTRA A INVASÃO DO SOLO DE MINHA PÁTRIA!”
Como pode-se notar nesta síntese histórica, não se trata apenas de colocar uma placa com um nome, mas sim reverenciar solenemente este nome: ANTÔNIO JOÃO RIBEIRO!
Moisés Martins.
(fonte de pesquisa, Virgilio Corrêa Filho – História de Mato Grosso)


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